Forma da Terra

Qual é a forma da Terra? Quais são as suas dimensões? Estas são perguntas simples e naturais quando se deseja estudar o planeta em que vivemos.Respondê-las, entretanto, exige algumas reflexões, a começar pelo grau de exatidão requerido nas respostas. Assim, para um observador muito distante, a Terra poderá ter a aparência de um ponto.Aproximando-se mais, o ponto começa adquirir dimensão e logo a Terra aparentará ser esférica.Mais próximo e poderá ser percebido um ligeiro achatamento e poder-se-á dizer que a Terra aparenta ser um elipsóide de revolução.

Ondulações poderão ser percebidas na superfície, ao se aproximar mais ainda, de modo que agora a Terra já não pode ser representada por um corpo de forma regular e alguém poderá dizer que a Terra tem uma forma irregular específica que recebe o nome de geóide. Mas o problema não termina aí; um observador mais próximo perceberá saliências e reentrâncias que não permitem caracterizar a superfície do planeta como polida. A superfície envoltória da Terra, que encerra toda a sua massa, abstraindo a camada atmosférica, recebe simplesmente o nome de superfície física, cujos contornos são definidos pelas formas do relevo,descritas pela topografia.

Portanto, a forma e as dimensões da Terra podem ser definidas com diferentes graus de
exatidão. Entretanto, se for observado o rigor científico, a sua superfície física é de difícil definição analítica e, normalmente é feita a partir de operações no âmbito da Geodésia que se consumam na representação cartográfica.

Para atingir o seu objetivo de determinar a forma e as dimensões da Terra, a Geodésia parte
do estudo do seu campo da gravidade, considerando a estreita correlação deste campo com aquelas grandezas. Deste modo, o estudo dos parâmetros definidores do campo da gravidade terrestre fornecem os fundamentos necessários à definição da forma e das dimensões do planeta. A partir desses fundamentos são também estabelecidos os sistemas geodésicos de referência, que são a base da representação dos dados espaciais que se distribuem na superfície da Terra.

A superfície terrestre é totalmente irregular, não existindo, até o momento, definições matemáticas capazes de representá-la sem deformá-la. A forma da Terra se assemelha mais a um elipsóide, o raio equatorial é aproximadamente 23 km maior do que o polar, devido ao movimento de rotação em torno do seu eixo (Figura 1).

Forma%20001.gif

Figura 1 : Comparação entre os três modelos de representação da superfície terrestre.

O modelo que mais se aproxima da sua forma real, e que pode ser determinado através de medidas gravimétricas, é o geiodal. Neste modelo, a superfície terrestre é definida por uma superfície fictícia determinada pelo prolongamento do nível médio dos mares estendendo-se em direção aos continentes.

Esta superfície pode estar acima ou abaixo da superfície topográfica, definida pela massa terrestre (Figura 2).

Para representar a superfície terrestre em um plano, é necessário que se adote uma superfície de referência, que corresponda a uma figura matematicamente definida. O elipsóide de revolução, gerado por uma eclipse rotacionada em torno de eixo menor, é a figura geométrica que mais se aproxima da forma real da Terra.

Para representações em escalas muito pequenas – menores do que 1:5.000.000, a diferença entre o raio equatorial e o raio polar apresenta um valor insignificante, o que permite representar a forma a Terra, em algumas aplicações, como uma esfera.

Forma%20002.gif

Figura 2 : Comparação entre a superfície topográfica, elipsoidal e geoidal.


Este modelo é bastante simplificado e o mais distante da realidade, pois os elementos da superfície terrestre apresentam-se bastante deformados em relação às suas correspondentes feições reais e à posição relativa. O globo terrestre é uma representação deste tipo (Figura 3).
Forma%20003.gif

Figura 3 : Globo terrestre.